Neste domingo de maio de 2021 vamos lembrar das mulheres - mães do bar

Ser mãe e ser uma mulher que gosta de frequentar bares parece incompatível. As leis sobre a permanência de menores nos bares é dúbia, muitos apontam que é o estabelecimento o responsável por colocar limites de horário para as mães com seus bebês. Será que somos mesmo nós que precisamos dizer a hora que a mulher deve ir para casa? 

Uma de nossas clientes marcou um happy hour com as amigas, para comemorar uma conquista profissional  e levou seu pequeno de um ano e pouco junto. Pediu uma cerveja e um suco para o bebê, que levamos em um copinho de plástico. "Não", disse a mãe, "quero que ele brinde comigo num copo igual ao meu".  A atendente ficou confusa, era uma situação inédita. Mas fez o que a mãe pediu.  A criança, com a potência de seus dentes novinhos, mordeu a taça de cristal. E o desastre aconteceu: o copo quebrou na boca da criança! Muitos julgaram, muitos disseram que a mãe nem deveria estar ali com seu bebê, nem bebendo álcool. Será que temos que julgar ou aprender?

Além das clientes, existem também as mães das nossas bartenders. Muitas delas colam no balcão do bar e ficam a noite toda bebendo, conversando e vendo a filha trabalhar. Ser bartender não é uma profissão fácil para as mulheres, ainda existe muito de preconceito e abuso que é preciso romper, o caminho é longo. As mães que incentivam as filhas em suas escolhas, acima de suas próprias expectativas também estão aprendendo. Mãe se aprende a ser, não se nasce pronta.

Ainda há as bartenders que têm filhos. Muitas delas trabalham preocupadas e tensas criando sozinhas as crianças. Muitas precisam mudar de profissão, deixar de lado seus sonhos de desenvolvimento na carreira por absoluta incompatibilidade de horários ou falta de ajuda. Clarice Lispector dizia que se tivesse que escolher entre maternidade e literatura com certeza abandonaria a escrita pois se considerava muito melhor mãe do que escritora.

Sua história como filha também é de grande luta. Foi concebida para salvar sua mãe já doente pois acreditava-se que a mulher, ao dar à luz, se curaria de todas as doenças. Clarice nasceu e ainda criança inventava e escrevia histórias como se pudesse numa magia salvar a mãe. Evitar a morte da mãe foi impossível, mas assim nasceu a escritora e a pessoa Clarice Lispector com toda essa missão.

Por isso um brinde a todas as mães – um exercício de presença, acolhimento e aprendizado sem fim.